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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Por que ‘Scientia Religionis’?


Quando nomeei meu antigo blog ‘Mansões Filosofais’ o fiz motivado pelo livro “As Mansões Filosofais” do alquimista francês, Fulcanelli (1839-1923). A grande verdade, contudo, é que nunca li a referida obra por não ter qualquer interesse em alquimia. No entanto, o título despertou em mim aquilo que considero uma prerrogativa da Filosofia: a possibilidade de vários saberes, várias moradas, vários caminhos para o pensar. Foi uma interpretação – e consequente apropriação – livre do título da obra. Nunca quis que o blog  fizesse referência, ou guardasse ar de parentesco,  ao livro.

Como disse, na postagem anterior, o ‘Mansões’ foi criado durante meu período de mestrado em Ciência da Religião (PPCIR/UFJF). Eu acabara de sair da graduação em Filosofia (UFSJ), impregnado pela leitura de Heidegger, e desejoso de conciliar o estudo sistemático de textos-fonte das religiões com os estudos do filósofo da Floresta Negra. De maneira especial cria, àquela época, que no conceito de verdade, tal como trabalhado na obra heideggeriana, haveria de encontrar-se uma saída legítima para um fundo comum onde as religiões pudessem se encontrar e dialogar.

De fato, toda religião se propõe como portadora de Verdade. E não apenas isso, mas, toda religião se propõe como a ‘única’ portadora da Verdade. Se eu pudesse, em minha pesquisa, iluminar o tema da verdade como algo comum a toda e qualquer religião; se eu pudesse estabelecer que, de fato, a verdade religiosa não é tanto um conjunto de conteúdos nos quais se crê, mas a estrutura da experiência originária que cada religião tem com o Sagrado; se eu pudesse fazer isso, talvez pudéssemos ter abertura e diálogo.

Assim era meu projeto de pesquisa quando, em 2001, fiz a seleção para o Mestrado em Ciência da Religião. Eu queria, através da leitura e interpretação de um texto-fonte das religiões indianas – o Bhagavad-Gita – trazer à tona a problemática da experiência com o Sagrado, numa perspectiva heideggeriana da verdade.

Por fim, ao executar minha pesquisa de mestrado, foi preciso redefinir objetivos devido à limitação de tempo. Uma pesquisa como essa não caberia no curto espaço de 24 meses [tempo de integralização do Mestrado]. O resultado foi a dissertação Da Essência do Sagrado: um estudo a partir da compreensão de Verdade e Linguagem no pensamento de Martin Heidegger. Aqueles que se aventurarem a ler este estudo perceberão ecos daquele plano original. Contudo, perceberão também uma abordagem imatura e, até mesmo, ingênua do campo disciplinar da Ciência da Religião.

A decisão em estudar a obra do fundador do espiritismo, Allan Kardec (1804-1869), representa retomada do plano original de ler e interpretar os textos-fonte das religiões. Contudo, agora em uma abordagem mais ampla que aquela do plano original. Não mais a leitura e interpretação dos textos-fonte a partir do conceito de verdade em Heidegger, porém a partir do referencial teórico da hermenêutica filosófica. E, não apenas isso, mas buscando subsídios também nas Ciências Sociais e na Historiografia das Religiões. Alguns exemplos dessa nova perspectiva podem ser acessados e lidos através do link Produção Acadêmica. Espero que apreciem os textos e enviem suas críticas e contribuições.

De certa maneira essa mudança de foco e ampliação dos referenciais teóricos trouxeram-me uma melhor definição de meu perfil como pesquisador. E, nesse contexto, surge o ‘Scientia Religionis’ como o espaço para os ensaios de expressão dessa nova realidade em contínua formação. O título deste blog, portanto, vem oferecer o norte para esse processo: não apenas pensar nos limites da pesquisa em desenvolvimento; mas, pensar-se e criar identidade como cientista da religião através da reflexão meta-teórica e metodológica do campo disciplinar da Ciência da Religião.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um novo blog, um novo começo

Se bem me lembro, entrei para a blogosfera no ano de 2002 com a primeira versão do Mansões Filosofais. Era meu tempo de mestrado e eu estava envolvido com a busca de melhor compreender o conceito de Sagrado a partir da obra de Martin Heidegger (1889-1976), especialmente através dos conceitos de ‘verdade’ e linguagem’.

Em 2005, alguns meses após a defesa da dissertação do mestrado, lancei-me de corpo e alma numa experiência que culminaria na modificação de meus interesses em Ciência da Religião. Saí das ‘Minhas’ Gerais, mudei-me para o Nordeste do Brasil, e encontrei na Paraíba um lugar para viver, amar e sentir saudade da ‘terra natal’. Nesse período de reestruturação da vida, o blog foi desativado e seus arquivos perdidos.

A 30 de Agosto de 2006 eu retomei o ofício de blogueiro com a publicação de uma nova versão do Mansões Filosofais. Como os amigos e amigas que me acompanham desde essa época sabem – e os que passaram a acompanhá-lo mais recentemente devem ter percebido – o ‘Mansões’ nunca teve uma temática bem definida, se configurando apenas como um espaço de publicação de coisas que me interessavam das mais variadas maneiras. Nos últimos tempos tem, inclusive, se parecido mais com um armário de guardados do que um blog propriamente dito. As publicações autorais diminuíram significativamente e se perderam em meio aos posts de divulgação de livros, artigos, vídeos, etc.

Diante disso tenho sentido a urgência de um começo realmente novo, um blog mais direcionado a meus interesses acadêmicos, com um perfil mais bem definido. Dessa necessidade nasce, agora, o ‘Scientia Religionis’.

Seu objetivo declarado é ser um espaço de reflexão em torno da Ciência da Religião, seus temas e constituintes teóricos e metodológicos. No entanto, preserva esse blog o caráter pessoal que motivava o ‘Mansões’ sem, contudo, perder-se no labirinto de temáticas em que este último se perdeu. Aqui, serão preferencialmente publicados textos autorais (artigos, comentários, resenhas, etc.). E se, alguma vez, eu lançar mão de citações mais ou menos extensas de outros autores será apenas porque tais textos exprimem, de forma extraordinária e completa, meu pensamento sobre o mesmo tema. Nesses casos, sei que vocês compreenderão perfeitamente minha rendição ao pensamento alheio.

A partir de agora o ‘Mansões’ será, aos poucos, extinto. Grande parte dos artigos nele publicados será simplesmente descartada. Principalmente aqueles posts nos quais predominam meu instinto de colecionador acima referido. Contudo, muitos artigos serão reaproveitados aqui. Alguns serão reescritos, outros completamente modificados ou ampliados. Assim, de certa forma, o ‘Mansões Filosofais’ sobreviverá. Agora, no entanto, mais maduro e bem direcionado.

Dito isto, só me resta dar as boas-vindas aos velhos e novos amigos que aqui aportarem. Continuarei contando com os comentários, as críticas e a paciência de todos vocês.

Um grande abraço:
Augusto Araujo